KAMINSKI – O Julgamento – Começo pelo extremo polaco, embalado pelas palavras de Marco Silva sobre Sudakov. Kaminski fez dois jogos de pré-época e foi titular nos dois primeiros jogos da temporada. No final do jogo na Suíça, foi um dos alvos da ira dos adeptos. E até de alguns comentadores que, primeiro o colocaram nos píncaros da lua, aquando da contratação, mas que, depois desse jogo, já o apontaram como um grande flop.
A Opinião – Kaminski custou 17 milhões de euros. Números que, no atual mercado, não parecem particularmente elevados, mas que para o campeonato português são, naturalmente, significativos. Titular na seleção polaca, chegou a uma realidade completamente diferente. Um futebol diferente, línguas e costumes diferentes. Um clube a “arder”, desesperado por resultados, e com apenas duas semanas de treinos e 100 minutos num particular, caiu como uma das novidades deste Benfica. No Colónia, o extremo fez, na época passada, 36 jogos, com participação em 10 golos (7 assistências e 3 golos) dos 49 que o clube marcou. Números interessantes para qualquer jogador num campeonato dos Big Five, ainda para mais numa equipa que luta pelo meio da tabela. Se olharmos para a seleção polaca, é titular desde o Mundial do Catar. E, já depois da explosão de Oskar Pietuszewski, o agora benfiquista manteve a titularidade. A assistência no jogo da segunda mão parece dar razão à razão.
PLANTEL DO SPORTING – O Julgamento – O Sporting investiu mais de 100 milhões de euros para colmatar saídas de jogadores históricos como Hjulmand, Trincão, Quenda ou Morita, para já. Talvez por isso, e pelos resultados dos jogos já realizados na pré-época, os adeptos estão entusiasmados, quase eufóricos. Goleadas ao Celtic e ao Estrasburgo. Reforços a marcar e a brilhar. E os adeptos radiantes nas redes sociais, em especial depois dos “desvios” de Zalazar e Ba ao rival Benfica.
A Opinião – Nos últimos 20 anos, o Sporting fez duas pré-épocas 100% vitoriosas. Uma na época 20/21, marcada pelo Covid e em que os leões se sagraram campeões nacionais. A outra foi em 2013/14. Leonardo Jardim era o treinador e também houve direito a uma revolução no plantel. Mas esta, em vez de ser baseada em contratações “milionárias”, foi assente na formação. William Carvalho, Cédric, André Martins, Adrien e Eric Dier foram figuras numa equipa que terminou em segundo lugar. Esta revolução de Rui Borges traz muitas caras novas. Novas realidades e, especialmente, uma nova sala de máquinas. O segredo do sucesso leonino terá de estar no renovado meio-campo. Por isso, o melhor é mesmo esperar para ver.
O ATAQUE DO FC PORTO – O Julgamento – Sem Samu até perto do fim do ano, e com as partidas de Moffi e Luuk de Jong, o FC Porto decidiu atacar a nova época com André Silva e Deniz Gül até ao regresso do espanhol. Para os adeptos e para alguns analistas, aparentemente, chega. O internacional português preenche o coração dos adeptos pelo seu portismo. O avançado turco, apesar do claro potencial, é visto como um jogador de futuro.
A Opinião – Se para consumo interno a opção André Silva até pode chegar para as primeiras despesas do FC Porto, para a Liga dos Campeões parece curto. Gül e André Silva fizeram juntos menos golos na época passada do que Samu só em meia temporada no Dragão. É verdade que o FC Porto não perdeu nenhuma grande figura do seu plantel. Mas, se quer atacar todas as frentes, se calhar André Villas-Boas terá de abrir os cordões à bolsa e dar a Farioli um ponta de lança que faça mais de 20 golos por época. O ano passado chegou… mas a aposta na Champions não vai ser, certamente, a mesma da Liga Europa do ano passado.
OS ÁUDIOS DE PROENÇA – O Julgamento – Desde que foram divulgados como uma bomba que adeptos e comentadores, especialmente os do Benfica, pediram a cabeça do presidente da Federação. Acusam Proença de várias coisas, entre elas de querer prejudicar o clube e de ter sido injusto para com os árbitros e o seu líder.
A Opinião – Não querendo detalhar o conteúdo dos áudios — apesar de Proença, em comunicado, não ter negado a sua veracidade, apenas o contexto e a legalidade da divulgação — haverá matéria criminal ou de quebra de confiança institucional para que o presidente da FPF perca o seu mandato? Parece-me mais um problema interno para Pedro Proença explicar, especialmente a José Fontelas Gomes, que até é seu vice-presidente, e aos árbitros. Por responder fica a questão: quem, e com que objetivos, recolheu e partilhou estes áudios dois anos depois? Talvez nunca saibamos. Não me parece que vá mexer grande coisa com as estruturas do futebol português.
JHON DURÁN – O Julgamento – Ainda não tinha assinado oficialmente e já metade dos adeptos lhe apontavam defeitos, até alguns de carácter, dizendo que seria um problema para o balneário. Davam como exemplo o facto de, quando jogava no Al Nassr, viver no Bahrein e ir de avião para os treinos diariamente. Relembrando as intempestivas saídas do Fenerbahçe, do Zenit e do Al Nassr. Mas depois o golo e a assistência no particular com o Belenenses já o colocam como o negócio do século para muitos dos críticos.
A Opinião – Parece indesmentível que Durán teve problemas por onde passou, mas vamos analisar o negócio por si mesmo. Custa 6,5 milhões de euros. E o Benfica, se não quiser pagar os 30 milhões acordados no final, pode ficar com o avançado por mais uma temporada por empréstimo. Duas épocas, 6,5 milhões de euros por um avançado internacional colombiano. Será que não vale o risco? Mas e deixar sair Ivanovic apenas por uma primeira boa imagem não é arriscar demasiado? A gestão da época passada do FC Porto desde a lesão de Samu pode deixar algumas pistas para os encarnados.
AS VENDAS DOS CONSAGRADOS DO SPORTING – O Julgamento – Assim que a CMVM foi notificada do valor da saída para o Al Ahli, logo um coro de adeptos se reuniu a queixar-se de que os 43 milhões de euros eram curtos. E que os 40 milhões da saída de Hjulmand para o At. Madrid também seriam curtos.
A Opinião – Francisco Trincão custou 21 milhões de euros ao Sporting. Mas, quando se despediu, deixou, para lá dos 50 milhões de dólares, 102 jogos, 37 golos e 28 assistências. Morten Hjulmand custou os mesmos 21 milhões. Deixou os 40 milhões e, para trás, 119 jogos, 8 golos marcados e 10 assistências. Três títulos nacionais, dois campeonatos e uma Taça. Foram ganhar muito mais do que ganhavam em Alvalade e o presidente do Sporting honrou a palavra, não cortando as pernas aos jogadores. Podia ter ganho mais? Podia. Mas teriam os jogadores melhores negócios?
FIFA VENDE O FUTEBOL – O Julgamento – O comportamento de Gianni Infantino enquanto presidente da FIFA deixa qualquer adepto purista do futebol de cabelos em pé. (Pior só Stefano Domenicali e a opinião que tem sobre os novos adeptos da Fórmula 1, que não querem saber de como os carros andam, apenas que andam e que trazem mais emoção. Mesmo que seja uma emoção falsificada.) A última ideia, que parece ter unido finalmente o futebol, pelo menos o europeu, é a de vender participações dos mundiais a privados. A união do futebol europeu é precisamente contra isto e ameaça com um boicote às competições da FIFA, que, por acaso, até são organizadas pelos dois países detentores dos troféus europeus: Espanha, campeã da Europa, e Portugal, vencedor da Liga das Nações.
A Opinião – Neste caso tenho de me render… estou com os julgadores. Opinião e julgamento rápido coincidem. Há limites!


