No “Magnífico 7” desta semana tentaremos perceber o momento do regresso de Marco Silva a Portugal. Doze anos depois de ter saído do país, tem a oportunidade e o sonho de vencer finalmente a Primeira Liga. O sonho é partilhado por outros treinadores nacionais de topo, mas que nesta altura vivem em projetos que lutam por títulos no estrangeiro e que não terão, nos próximos tempos, esse mesmo desejo.
No Brasil, sempre que sai um treinador de um dos grandes, fala-se de Abel Ferreira. No Palmeiras ele ganhou tudo o que tinha a ganhar. O mesmo se passou com Artur Jorge. Ambos tentam ser destronados por Luís Castro e Leonardo Jardim, mas o madeirense tem outro pedigree: venceu a Liga francesa e foi à final da Champions pelo Mónaco. Luís Castro ganhou na Ucrânia, mas aí o rei é Paulo Fonseca. Agora no Ol. Lyon, depois de brilhar em Itália pela Roma e de ter estado no Milan. Falta falar de Nuno Espírito Santo: campeão na Arábia Saudita, vai tentar vencer, outra vez, o Championship no trágico regresso do West Ham à II Liga inglesa. Mas afinal, o que move Marco Silva para voltar a Portugal?
A primeira questão que se levanta é: será um erro? Estava num clube em crescendo, na liga mais mediática do mundo, e vai colocar-se num Benfica em tempos de desespero por títulos? Conheço Marco Silva há muitos anos, desde os tempos em que treinava o Estoril e tive a oportunidade de o entrevistar. Cruzámo-nos mais umas quantas vezes, sempre em contexto profissional, e é das pessoas mais corretas, simples e "terra-a-terra" que conheço no mundo do futebol.
As suas competências e o estatuto de "treinador de projeto" não lhe são atribuídos por mim, mas sim pelo seu currículo. Ainda assim, consegue reunir à sua volta algumas rábulas e, em quase todas, nada tem a ver com o assunto. A começar pela forma como começou a treinar: era o diretor desportivo do Estoril quando foi obrigado a assumir a equipa, e só parou quando deixou o clube da Linha como campeão da II Liga no primeiro ano e na UEFA no segundo.
Depois, há a forma como saiu do Sporting: um despedimento por ter usado um fato de treino. A contratação pelo Hull, que foi noticiada pela imprensa britânica como "o desconhecido irlandês Marc O’Silva". A saída do Watford poucos dias depois de o clube ter recusado que o Everton pagasse uma indemnização para o contratar. Em Liverpool, ao serviço dos Toffees, foi expulso e suspenso por ter dado um pontapé numa garrafa que, involuntariamente, acertou num assistente. Ou mais recentemente no Fulham, quando tentou fazer uma tripla substituição, mas, por falha de comunicação com o delegado ao jogo, saiu o jogador errado.
A segunda questão tem a ver com o momento. Noutras ocasiões teve a oportunidade de treinar o Benfica e rejeitou. Porquê agora? Substituir o Special One não deve ser tarefa fácil. Apenas no Real Madrid Carlo Ancelotti conseguiu fazer imediatamente melhor do que o, agora e novamente, treinador do Real Madrid.
A terceira tem a ver com o mercado, muito calmo pelos lados da Luz. Com o Mundial em andamento, não deverá ser fácil que, quando a época começar, Marco Silva tenha uma equipa perto do ideal para arrancar os trabalhos e atacar a Liga Europa. Nesta altura fala-se mais de saídas do que de entradas, e isso nunca é bom sinal, porque parece que o Benfica espera por saídas para atacar as entradas.
Sendo um treinador de projeto, quanto tempo terá Marco Silva na Luz? Olhando para o tempo que os treinadores têm durado ultimamente, não vai ter vida fácil nem muita paciência por parte dos adeptos.
Tirando o fugaz e rápido retorno de Mourinho, a nega de Amorim e o desvio para Itália, adivinha-se outro regresso de um dos “monstros do banco” a Portugal: o de Jorge Jesus. Fora isso, só uma eventual e surpreendente saída de Rui Borges ou Francesco Farioli abrirá espaço para um regresso ao futebol nacional de outro dos Magníficos 7 treinadores portugueses no estrageiro. O sucesso de Marco Silva no Benfica pode ajudar a abrir essas portas… Será que vai conseguir? Dia 24 junho começa a responder-se a essa questão e o primeiro adversário um mês depois. Não sendo de gala… é um St. Gallen.


