Tinha acabado de bater o recorde de assistências numa época em Inglaterra. E tal como ofereceu golos, ofereceu talvez a liderança que Portugal precisa em campo no Mundial. Bruno Fernandes foi o melhor jogador do ano da Premier League mas quer vencer o Mundial por si, leitor destas palavras. Não acredita? Então veja com os seus olhos e boa sorte se não se sentir capaz de querer entrar em campo ao lado dos 26+1 de Martinez.
Bruno Fernandes fez 21 assistências no campeonato inglês. Desempatou com lendas como Henry e de Kevin De Bruyne. Antes já tinha descolado outras críticas dos adeptos e jogadores dos Gunners porque o melhor jogador do ano foi o “Magnifico de Old Trafford” e não Declan Rice ou qualquer um dos novos campeões de Inglaterra. É verdade que nos últimos 30 anos só por 6 vezes o melhor jogador não veio do clube campeão ou vice-campeão. Mas a época de Bruno Fernandes é impressionante ainda que infelizmente tenha sido só para consumo interno inglês ou, felizmente para os portugueses, na seleção. Bruno terminou a época com 15 golos e 27 assistências, em apenas, e este “apenas” merece todas as aspas, 46 jogos realizados. Desde que se estreou na seleção nunca Bruno Fernandes jogou tão pouco. Em ano de Mundial está fresquinho.
Bruno Fernandes participou de forma direta, praticamente num golo da sua equipa a cada jogo realizado. E quer ganhar por si, pela família, pelos amigos, por todos os portugueses. Bruno Fernandes nunca foi campeão nacional. Nem em Itália, nem em Portugal ou Inglaterra. Nunca ganhou uma competição europeia. Mas já levantou dois troféus pela seleção nacional, a Liga das Nações em 2018 e em 2025. Mas trocava esse sonho da Champions e da Premier League pelo maior feito da carreira, representar Portugal. Bruno Fernandes é mais do que um magnifico 7 do United. E se calhar tem cada uma das características dos míticos jogadores que envergaram essa camisola. De Berry herdou o sacrifício. De Best os momentos de génio. De Bryan Robson talvez o mais parecido globalmente, mas com a classe e a presença teatral mais próxima de Eric “the King” Cantona. De Beckham as bolas paradas e até a forma como bateu o recorde de assistências vem de um canto em que curvou como o “Spice Boy” para o golo de Dorgu. Curiosamente do que está mais longe futebolisticamente, Cristiano Ronaldo partilha a nacionalidade. Mas não só. A sede de ganhar, talvez por motivos diferentes, mas para o caso pouco importa.
A primeira crónica neste novo espaço que a Sport TV abre é dedicada meu caro leitor a quem aposto as minhas fichas todas para a partir do dia 17 de junho liderar a seleção no mundial americano. Não sendo de fezadas só queria deixar o aviso: em 2016 tive de cumprir uma promessa de muitos quilómetros só porque vi Eder a aquecer durante a final do Europeu, mas isso fica para outras núpcias, ou crónicas. Na verdade Bruno Fernandes não é um Magnífico 7. É um 7+1… ou não usasse a camisola 8.


