ADEUS, CAPITÃO!

Cristiano Ronaldo despede-se da Seleção depois de reescrever a história do futebol português
Há despedidas que fecham um ciclo. A de Cristiano Ronaldo fecha uma era. Num vídeo partilhado nas redes sociais, o capitão revelou que já não voltará a vestir a camisola das quinas. Fê-lo 23 anos depois da estreia, ao fim de 234 jogos, 146 golos e três títulos, e sem esperar pela convocatória de Jorge Jesus, que seria divulgada amanhã. A mensagem, acompanhada de imagens da carreira ao serviço de Portugal, tem como ideia central que Portugal estará sempre nele, e fala de uma camisola 7 que terá agora de passar de mãos.
O miúdo de 18 anos que mudou o destino de uma seleção
Tudo começou a 20 de agosto de 2003. Ronaldo estreou-se por Portugal nessa data, quando Erling Haaland acabara de fazer três anos. Tinha 18 anos e ainda não era Cristiano Ronaldo, era uma promessa. Em 2004, o Euro em casa trouxe a maior alegria e a maior dor: a final de má memória diante da Grécia ficou como ferida aberta, e muita gente achava que a vitória nunca chegaria.
Chegou doze anos depois. A final de Paris, em 2016, teve Ronaldo a sair lesionado, a chorar e depois a empurrar a equipa à beira do campo. O golo de Éder, no prolongamento, deu a Portugal o primeiro grande título da sua história. O próprio capitão recorda hoje que, antes da sua geração, Portugal nunca tinha conquistado um troféu importante, e considera o Europeu de 2016 tão importante como um Campeonato do Mundo. Seguiram-se duas Ligas das Nações, em 2019 e 2025, que fizeram de Portugal a primeira seleção a vencer a prova duas vezes.
Os números de um caso único
Os números de Ronaldo ao serviço de Portugal servem para medir a dimensão de uma carreira.
- 234 jogos e 146 golos, ambos recordes mundiais.
- É o único europeu a ultrapassar a centena de golos por uma seleção.
- Europeus: 14 golos em fases finais e 41 em qualificações, ambos recordes.
- Mundiais: 11 golos em fases finais e 41 em qualificações. Marcou em seis edições, de 2006 a 2026.
- Liga das Nações: 15 golos.
- Mundial 2026: três golos, dois ao Uzbequistão e um à Croácia. Tornou-se o jogador mais velho de sempre a representar Portugal num Mundial e o melhor marcador português em fases finais.
Um final que ninguém queria escrever assim
O último capítulo teve mais ruído do que se esperava. Portugal caiu nos oitavos do Mundial com a Espanha, com um golo de Merino nos descontos, e um Ronaldo emocionado admitiu ali que tinha sido o seu último Mundial. Já com Jorge Jesus no comando, veio o desentendimento em setembro. Ronaldo saiu do estágio de Copenhaga na véspera do jogo com a Dinamarca e prometeu contar a verdade, enquanto o selecionador falou em "não há caso nenhum" e disse ter combinado que o capitão não jogaria. A camisola 7 passou a ser usada por Rafael Leão. Hoje, a mensagem de despedida não volta ao assunto e aposta no agradecimento.
A mensagem final
O capitão fala em compreensão pelas ausências e sacrifícios, diz que não vê só jogos, golos, recordes ou troféus, vê pessoas, e garante que sai de cabeça levantada, convicto de que deu tudo o que tinha por Portugal.
Fica uma seleção que, antes dele, nunca tinha vencido nada. Depois dele, já ganhou três vezes.










