Qatargate: Lista de alvos do Irão inclui hotéis Moto GP

Lista com alvos retaliatórios iranianos incluem hotéis Dorna alocados para o Grande Prémio do Catar
Ainda o grande prémio da Malásia não tinha chegado ao fim e no paddock do Moto GP já só se falava de uma coisa: o Grande Prémio do Catar.
Com a instabilidade que se vive na região devido à guerra entre os Estados Unidos e o Irão, a prova chegou a estar em dúvida, mas o MotoGP Sports Entertainment Group (antiga DORNA) depressa veio a público garantir às equipas e aos pilotos condições de segurança para a realização do evento.
Esta declaração gerou estranheza entre o pelotão e não convenceu a maior parte dos protagonistas, até porque Espanha e Itália - apenas para referir os países mais representados no paddock - não só desaconselham vivamente qualquer viagem para o Irão neste momento, como também instaram formalmente o regresso dos seus cidadãos o mais depressa possível.
O Catargate começou com a nega da Yamaha.
O gigante japonês foi o primeiro a anunciar que não iria participar no Grande Prémio do Catar, uma decisão fundamentada pela falta de segurança no Médio Oriente e que afetou não só a equipa oficial da Yamaha, mas também a equipa satélite, a Prima Pramac Racing.
Fabio Quartararo, Jack Miller, Alex Ríns e Augusto Fernández (que iria substituir o turco Toprak Razgatlioglu) foram as primeiras baixas oficiais do Catargate.
A saída de cena da Yamaha gerou forte discussão no seio da família do Moto GP, mas nos dias que se seguiram Honda, Ducati e Aprilia confirmaram que vão estar presentes em Losail, no Catar.
Depois disto começaram a surgir algumas posições isoladas por parte dos pilotos.
Marc Márquez por exemplo fez saber que vai falhar todos os habituais compromissos com a comunicação social, e só vai chegar a Losail o mais tarde possível na noite de quinta-feira.
E apesar do promotor do campeonato continuar a garantir que o evento vai mesmo ter lugar, os recentes ataques dos Estados Unidos ao Irão resultaram numa nova onda crescente de preocupação dentro do paddock.
O último (e grande) sinal de alarme foi dado esta terça-feira quando órgãos de comunicação social afetos ao regime iraniano libertaram uma lista com dezenas de alvos retaliatórios no Golfo Pérsico, e nessa lista estão algumas unidades hoteleiras que o promotor do Moto GP reservou de antemão para acomodar elementos das equipas, mecânicos, jornalistas, staff da Dorna e ... pilotos.
A divulgação desta lista está a levantar uma forte apreensão junto do paddock do Moto GP.
Simon Patterson foi um dos jornalistas que divulgou essa mesma lista, e neste momento existe um receio legítimo quanto a um possível ataque iraniano a estas unidades hoteleiras.
Mas as preocupações não se ficam por aqui e também envolvem ... Portimão.
Sempre que foi atacado pelos Estados Unidos o Irão retaliou contra alvos espalhados pelo Golfo Pérsico, sobretudo bases norte-americanas que o regime iraniano considera ser alvos legítimos no contexto desta guerra.
E é precisamente no Catar que está a maior e mais importante base norte-americana no Médio Oriente: a base aérea de Al Udeid, a sudoeste de Doha, que já foi atacada pelo Irão neste conflito.
Caso o Irão decida repetir o ataque a Al Udeid, ou a qualquer outra base norte-americana estacionada em solo catari, é quase certo que o espaço aéreo sobre o Catar volte a ser encerrado como aconteceu a 23 de Junho de 2025 e a 28 de Fevereiro de 2026.
Dito de outra forma, em caso de ataque iraniano o espaço aéreo pode voltar a ser encerrado pelas autoridades cataris, aprisionando involuntariamente todo o paddock, e impedindo que se faça a ligação aérea a Portugal a tempo do Grande Prémio de Portugal de Moto GP.
Este cenário, apesar de possível, não é o que mais preocupa os protagonistas do campeonato do mundo neste momento.
Independentemente do que possa acontecer do lado iraniano em resposta aos ataques recentes dos Estados Unidos uma coisa é certa, o Grande Prémio do Catar arrisca-se a ter a grelha mais reduzida dos últimos tempos.
Para lá da Yamaha que não vai fazer correr nenhum dos seus quatro pilotos, Álex Márquez também não vai estar presente devido a lesão. O piloto espanhol da Gresini foi submetido a uma intervenção cirúrgica no passado dia 2 de Novembro, e vai permanecer em recuperação em Madrid.
Em dúvida devido a lesão estão Jorge Martín, Fermín Aldeguer, Raúl Fernández e Joan Mir (com este último a ser substituído pelo britânico Jake Dixon caso Mir confirme a sua ausência no Catar).
Ou seja, dos 22 pilotos residentes nove arriscam-se a não estarem presentes, o que pode resultar num dos grid mais curtos dos últimos tempos no Moto GP.













